Culture

A mulher do fim do mundo

Semana passada a lacradora Elza Soares aos 79 anos (não há idade para causar, né, gente?!) lançou o videoclipe A mulher do fim do mundo (Romulo Fróes e Alice Coutinho), música homônima do álbum lançado em final de 2015 que causou muito em 2016, levou o Grammy Latino em 2016 na categoria Melhor Álbum de Música Brasileira. e continuará causando muito ainda em 2017 por inúmeros fatores. As músicas trazem questões que a alguns sujeitos da sociedade está tirando do silêncio: a violência doméstica, sexual e qualquer outra discriminação que tentam passar por normal no dia a dia.  Elza Soares é um exemplo da luta de muitas mulheres do fim do mundo. Sua aparição na sociedade do espetáculo se deu de uma forma anedótica: quando era uma menininha de uns 13 anos foi cantar no programa de rádio de Ary Barroso (pois, é minha gente, a rádio já foi nossa TV do século XX, tudo passava pelas ondas das rádios). A pequena Elza cantou no programa de calouro e o apresentador abismado com a voz da menina perguntou de onde ela vinha.
Elza respondeu: Do planeta fome. (Morri! Que tapa na cara).
Foi o começo. Depois ficou conhecida pelo relacionamento com o jogador Garrincha. Há um filme que super indico: Garrincha - A estrela solitária, de Milton Alencar Jr.(show de bola). Porém, Elza nunca foi mulher de ficar à sombra de um homem. Não passou nem passará para a história como a ex-mulher do grande Garrincha. Com sua voz única e inconfundível juntamente com sua personalidade fazem dela um estandarte da alegria do samba e das lutas pelas igualdades de todas e todos. O clipe com direção de Paulo Gaitán é um exemplo dessa ambiguidade em que muitas mulheres estão: a violência e a alegria de carregar muitas famílias nos braços. Tudo em uma mistura de cores e  no preto e branco  também. Como diz um trecho da música:

“Eu quero cantar até o fim. Eu vou cantar. Me deixe cantar até o fim”

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