Culture

A busca pela identidade no país das maravilhas!


Algumas perguntas nós vamos fazer (eternamente) enquanto vivemos neste País (nem sempre) das Maravilhas: quem sou eu? de onde eu vim? para onde eu vou?
Até podemos deixar de fazer estas indagações de forma direta assim, no entanto, elas permanecem escondidas em todas as escolhas que fazemos ou deixamos de fazer no dia a dia. Escolhas simples, como: Vou à balada hoje ou ficarei em casa? Ir a balada pode revelar um pouco quem eu sou e ficar em casa pode revelar um pouco quem eu sou.
E como não estamos sozinhos no mundo. Independentes de escolher ficar em casa ou ir à balada as pessoas com quem nos relacionamos vão se intrometer em nossas decisões. Ele não vai à festa porque não gosta de se relacionar ou ele vai a festa não é caseiro (Aqui estou sendo bonzinho. A gente pode ouvir cada coisa quando decidimos algo contrário aos nossos amigos, namorado, pais). E assim, vamos sendo julgados e julgamos all the time. (Que preguiça!)
Imagine, então, um transexual que além dessas questões miúdas de sair com os amigos ou ficar em casa vendo TV comendo pipoca é questionado de formas mais violentas possíveis, de palavras a agressões, sobre suas escolhas. E o pior, nós queremos impor nossas escolhas aos outros.


“Vamos pedir piedade
 Senhor, piedade!
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem”

Neste episódio da série Quem sou eu? Acompanhamos um pouco da história de duas Alices: Bernardo e Andrea.
Bernardo é um garoto de 15 anos que desde os 6 anos já expressava a mãe que não queria ser menina. A mãe de Bernardo foi procurar ajuda de psicólogos e recebeu a ajuda de uma ótima psicóloga que fez Bernardo prometer que usaria brinco. Momento desabafo:
Amo a psicologia, mas tenho preguiça de certos psicólogos. Não podemos confundir o pecado com o pecador jamais, né? Assim também no mundo das ciências e das profissões. Há excelentes psicólogos ajudando as pessoas a saírem de seus sofrimentos e há outros que não ouvem ninguém a não ser eles mesmos além de querer impor suas visões de mundo. Basta a gente se recordar um psicólogo deputado que há uns tempos tentou aprovar uma lei de cura gay. (Normal.) Em todas as profissões acontece isso: que o diga a Educação. Há um montão de professores e pedagogas que não sabem nada do mundo, além de querer impor suas concepções de mundo as crianças. (#prontodesabafei....rsrs)
Como disse Bernardo:

“Eu sou quem eu sou. E sempre tem gente que vai se sentir ofendida porque diferença sempre trás discórdia”.

Andréa é uma transexual que demorou um pouco mais que Bernardo a se assumir socialmente. Aos 16 anos já tinha descoberto o que era: sentiu alívio naquele momento por não se saber única no mundo e passou a sentir medo. Como eu escrevi na primeira parte sobre esta série, a gente vê quase totalmente só cenas de deboche e violência contra transexuais, travestis e gays. Um dos  motivos de eu estar escrevendo especialmente sobre cada episódio da série Quem sou eu? é ver na TV aberta uma série sobre questões tão caras aos transgêneros e que quase sempre acompanhamos de forma preconceituosa e distorcida.
Andrea aos 22 anos que começou a fazer o tratamento hormonal. A maioria dos transgêneros começa a fazer o tratamento hormonal sem acompanhamento médico o que é um perigo para a saúde tanto física quanto mental. Pois o tratamento é processo longo que envolve não apenas a mudança do corpo, mas de um reconhecimento de si e de identidade.

Assim como a Alice os transgêneros vivem em um País das Maravilhas no qual há flores que irão indagá-los que tipo de flor eles e elas são. E ao responderem que não são flores. As flores, então, passam a achar que são mato e como mato deve ser desprezado. 

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