Culture

Com que roupa eu vou à minha formatura?

Talles De Oliveira Faria (Reprodução/Facebook)
A colação de grau do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) virou notícia por causa do ato de protesto do estudante Thales. Ele foi à entrega do diploma usando um vestido vermelho, de salto alto, maquiado. Isso foi o suficiente para todo mundo sair opinando (inclusive euzinho aqui). Eu gosto mais dos comentários das pessoas que dos fatos. Muitas vezes (quase sempre) estamos mais preocupados em emitir nossa opinião sobre qualquer coisa a tentar entender os fatos ou simplesmente observá-los.  As nossas palavras são como as orações das benzedeiras: tentam nos manter imunes de algo ou alguém que acreditamos nos ameaçar. E muitos posts sobre o ato de protesto são exemplos do quanto estamos tão sem sensibilidade com o que é diferente de nós. Vamos aos fatos: o estudante pintou o cabelo de amarelo e em outra ocasião fez um protesto usando vestido durante o intervalo de uma aula, segundo ele o suficiente para o instituto pressioná-lo a mudar ou mudar. Escolheu o meio termo: deixou de ser militar e continuou estudante. Em outros tempos: ele se esconderia, se mataria, se ocultaria. Como nos lembra o escritor inglês Oscar Wilder lá no século 19 “O amor que não ousa dizer o nome” sobre um período que ser gay publicamente era considerado crime. Graças a Deus, não precisamos disso mais. Podemos até sair por aí de vestido longo, maquiados, mas as pressões continuam a tentar nos criminalizar. Porém, não Thales não se deixou vencer. E nada como um momento tão oportuno quanto a formatura para estremecer o barquinho de papel que tenta carregar uma ideia de humanidade . O barquinho que não dá conta do diferente, do que não é regra.


Ele me fez lembrar a cena final do filme Patch Adams (Robin Williams) durante a formatura do Doutor da Alegria fez também um ato de protesto: mostrou a bunda. Assim como Patch Adams e Thales temos constantemente de escolher com qual roupa iremos enfrentar os preconceitos em todos lugares ou colocarão as roupas que quiserem em cada um de nós.

Reportagem exibida no Fantástico em 25 de dezembro de 2016

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